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terça-feira, 27 de outubro de 2009

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A Velhinha



Na limpeza do armário, encontrou o vestido preto - que usara no funeral do marido. "Que Deus lhe guarde" - resmungou enquanto retirava um fio de cabelo do vestido e o tornava ao cabide.
Somos todos tristes como roupas de velório, que se desbotam feito os cabelos enquanto os vários lutos fazem escorrer essa tinta toda que bem podiam chamar de vida - pensou a velha, de fato, já sem tristeza alguma.

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009



Hélio


- Aqui de cima até que é normal...
Sentia-se como um balão de festa, infantil, que depois de anos preso, atado - seja por horror eou por própria vontade-, enfim perde todos os laços e todas escolhas sendo então condenado a balouçar e fugir o mais rápido possível dessa Terra fria e inóspita que nunca lhe pertencera. Fugir até que, com um barulho surdo quasecomo explosão, atingisse o solo e se estatelasse após seu corpo ter despencado do topo dos vinte andares.


sábado, 11 de julho de 2009


Alzheimer às avessas


Sabia exatamente o que aconteceria depois que morresse, mas e até lá?

domingo, 24 de maio de 2009


Enterro


Eu vestida de preto, chorando.
Ele disse que, sabe, não é que eu não sinta falta - eu gosto mesmo de tudo aquilo de sair e ter quem vá comigo onde for e quem tire a roupa e dance polka nua; gosto de tudinho tudinho-, mas a falta é de alguém para pôr nesse seu lugar.
Eu, disse que isso não estava certo.
Ele devia ter sentido falta de mim.
Afinal, eu não sou como essa novavadia que ele arranjou e que, terça passada, esfaqueou-o seis vezes pelas costas com uma faca de cozinha cheirando a alho.